Disputa pela vice de Lucas Ribeiro entra na reta final com pressão de partidos e diferentes nomes no páreo
Com prazo para registro das candidaturas se aproximando, governador conduz conversas enquanto PT, Republicanos, PSB e Progressistas movimentam seus nomes para ocupar a vaga
A escolha do candidato ou candidata a vice na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), que disputará a reeleição, transformou-se em um dos principais movimentos do cenário político paraibano nesta fase que antecede o registro das candidaturas.
O que chama a atenção, neste momento, é a quantidade de nomes que passaram a ser colocados à disposição para ocupar a vaga. A movimentação envolve diferentes partidos e revela o peso estratégico que a composição da chapa pode ter para as eleições deste ano.
Entre os nomes lembrados estão a presidenta estadual do PT, Cida Ramos; o deputado federal Luciano Cartaxo (Republicanos); o deputado estadual Eduardo Carneiro (PP); a deputada estadual Rafaela Camaraense (PSB); o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (Republicanos); e, mais recentemente, a tenente-coronel Viviane Vieira (PSB), que também passou a aparecer nas conversas.
O movimento do PT ganhou força nesta segunda-feira (10), quando o deputado federal Luiz Couto defendeu publicamente o nome de Cida Ramos para a composição.
Segundo Couto, a presença da petista na chapa poderia fortalecer simultaneamente Lucas Ribeiro, o PT e o projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Paraíba.
Nos bastidores, a avaliação atribuída ao PT é de que a presença de um representante do partido na chapa seria importante para a manutenção do apoio à candidatura de Lucas. A defesa de Cida, portanto, não representa apenas a indicação de um nome, mas também demonstra o interesse da legenda em participar diretamente da composição eleitoral.
Do outro lado, o Republicanos também aparece como um dos principais protagonistas da disputa. Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa, tem feito movimentos para ocupar a vaga e figura entre os nomes que mais pressionam pela definição.
A situação de Galdino, entretanto, envolve uma equação política própria. O Republicanos deverá integrar a aliança que apoiará Lucas Ribeiro e também o projeto de Lula na Paraíba. Uma eventual saída do grupo para disputar outro espaço eleitoral, portanto, poderia provocar uma mudança importante na configuração da aliança.
É justamente essa complexidade que ajuda a explicar a demora na definição.
A vice-governadoria não representa apenas uma posição na chapa. A escolha pode sinalizar qual grupo político terá maior participação na composição, reforçar alianças partidárias e ajudar a organizar a estrutura eleitoral que será mobilizada durante a campanha.
Nas últimas horas, o próprio Lucas Ribeiro passou a conduzir pessoalmente as conversas com alguns dos nomes considerados mais cotados. Nesta segunda-feira (10), o governador voltou a dialogar com a tenente-coronel Viviane Vieira (PSB), pré-candidata à Assembleia Legislativa.
O movimento acrescentou mais uma possibilidade à disputa e mostrou que, apesar das especulações, a decisão ainda permanece aberta.
O relógio político está correndo
A definição também ganhou um componente de urgência. Os partidos e federações têm até 15 de agosto, às 19h, para registrar as candidaturas, o que reduz o espaço para novas negociações e aumenta a pressão sobre o governador e as lideranças partidárias.
Por isso, a impressão nos bastidores é de que a chamada “novela da vice” entrou em seus capítulos finais.
Até a definição oficial, entretanto, diferentes movimentos ainda podem ocorrer. O número de nomes colocados na mesa mostra que existe interesse de diferentes forças políticas em ocupar o espaço, mas também evidencia que a escolha precisará levar em consideração o equilíbrio da aliança.
Neste cenário, Lucas Ribeiro concentra a decisão e terá de encontrar uma composição capaz de acomodar os interesses dos partidos que integram ou pretendem integrar seu projeto de reeleição.
A disputa pela vice, portanto, tornou-se um retrato das negociações que antecedem uma eleição: quanto mais próximo chega o prazo final, maior é a pressão por uma resposta — e maior também é o peso político da escolha.
Agora, o que resta é acompanhar qual dos nomes sobreviverá às últimas rodadas de conversa e, principalmente, qual será a composição política escolhida pelo governador para a disputa pela reeleição.