El Niño pode provocar impacto de bilhões no setor atacadista brasileiro
Fenômeno climático pode reduzir margens de lucro e pressionar preços em uma cadeia que movimenta cerca de R$ 616 bilhões por ano
A possibilidade de um novo episódio de El Niño no segundo semestre colocou o setor atacadista brasileiro em estado de alerta. Além dos efeitos sobre o clima e a produção agrícola, o fenômeno pode provocar impactos financeiros em uma cadeia que movimenta aproximadamente R$ 616 bilhões.
De acordo com a projeção apresentada para o setor, os impactos podem superar R$ 2,4 bilhões, principalmente em razão da redução das margens de lucro das empresas de distribuição. A estimativa aponta para uma queda entre 2% e 8%, dependendo da intensidade dos efeitos climáticos sobre a produção e os preços.
O motivo está na própria estrutura da cadeia de abastecimento. Grande parte dos produtos comercializados pelo setor atacadista tem origem direta ou indireta na agropecuária.
Isso inclui alimentos vendidos in natura, como frutas, verduras e grãos, mas também produtos processados. A influência chega ainda a outros segmentos que dependem de matérias-primas agrícolas, como vestuário, higiene pessoal e até produtos utilizados na construção e decoração.
Como o clima chega ao bolso
O El Niño altera os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta. No Brasil, os efeitos podem variar conforme a área: algumas regiões podem registrar excesso de chuva, enquanto outras podem enfrentar períodos mais secos e quentes.
Quando as condições climáticas prejudicam uma safra, a oferta de determinados produtos pode diminuir. Com menos mercadoria disponível, os preços podem subir e aumentar os custos para toda a cadeia — do produtor ao distribuidor e, finalmente, ao consumidor.
O setor atacadista, que funciona como uma ponte entre produtores, indústria, comércio e consumidores, pode acabar absorvendo parte desse aumento de custos, reduzindo suas margens de lucro.
O impacto, portanto, pode ir muito além das lavouras.
Um fenômeno climático começa no campo, passa pela cadeia de distribuição e pode chegar diretamente ao supermercado, à loja e ao bolso do consumidor.