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Doação feita em vida pode evitar disputas na herança se seguir regras da lei

Código Civil permite que pais dispensem a colação de bens doados a filhos, desde que a vontade seja registrada em escritura pública e respeite os limites legais.

👤 Damião Porfirio 📅 15 de julho de 2026 👁 64 ⏱ 3 min de leitura
Doação feita em vida pode evitar disputas na herança se seguir regras da lei

Presentear um filho com um imóvel, um terreno ou outro bem ainda em vida é uma prática permitida pela legislação brasileira. No entanto, para que essa doação não seja questionada futuramente durante o inventário, é necessário observar regras previstas no Código Civil.

Pela regra geral, toda doação feita de pais para filhos é considerada um adiantamento da herança. Esse mecanismo, conhecido como colação, está previsto no artigo 2.002 do Código Civil e tem como objetivo garantir igualdade entre os herdeiros necessários.

Na prática, quando o doador falece, o valor do bem doado deve ser considerado no cálculo da divisão do patrimônio, para evitar que um dos herdeiros receba mais do que os demais.

Como evitar a colação?

A legislação permite que o doador dispense essa obrigação por meio da chamada dispensa de colação.

Para isso, é necessário que a intenção seja expressa de forma clara na escritura pública de doação, registrada em cartório. Conforme estabelece o artigo 2.006 do Código Civil, o documento deve informar que o bem está sendo transferido com recursos da chamada parte disponível do patrimônio e que o beneficiário fica dispensado de apresentar esse bem no inventário.

Sem essa previsão expressa, a doação continuará sendo tratada como adiantamento da herança.

Existe um limite?

Sim. A lei determina que a doação com dispensa de colação não pode ultrapassar a parte disponível do patrimônio, que corresponde a 50% dos bens existentes no momento da doação.

Os outros 50% constituem a chamada legítima, parcela da herança reservada obrigatoriamente aos herdeiros necessários, como filhos, cônjuge e, em alguns casos, os pais.

Se a doação ultrapassar esse limite, a Justiça poderá reduzir apenas a parte excedente, preservando a parcela permitida pela legislação.

Planejamento evita conflitos

Especialistas em Direito de Família e Sucessões destacam que o planejamento patrimonial é uma ferramenta importante para evitar disputas entre herdeiros.

Registrar corretamente a vontade do doador e respeitar os limites previstos em lei oferece mais segurança jurídica e reduz a possibilidade de questionamentos durante o inventário.

Assim, um gesto de carinho ou gratidão realizado em vida pode ser preservado conforme o desejo do doador, desde que sejam observadas as exigências legais previstas no Código Civil.


 

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