Anabolizantes podem triplicar risco de infarto e aumentar casos de morte súbita, alertam especialistas
Estudos publicados pela revista científica Circulation mostram que o uso de esteroides anabolizantes compromete o coração e não existe dose considerada segura para fins estéticos.
O uso de esteroides anabolizantes para ganho de massa muscular e melhora da aparência física voltou ao centro das discussões médicas após novos estudos publicados pela revista científica Circulation, da American Heart Association. As pesquisas reforçam que essas substâncias aumentam significativamente o risco de doenças cardiovasculares graves e podem levar à morte súbita, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.
Segundo os estudos, usuários de anabolizantes apresentam um risco três vezes maior de sofrer um infarto agudo do miocárdio. Além disso, a incidência de hipertrofia cardíaca — crescimento anormal do músculo do coração — pode ser até nove vezes maior do que entre pessoas que não utilizam essas substâncias.
Outro dado preocupante é o aumento da ocorrência de tromboses, arritmias e insuficiência cardíaca, complicações que podem provocar sequelas permanentes ou levar à morte.
O cardiologista Dr. Luiz Fernando Correia destaca que muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que existe uma dose segura de anabolizantes para fins estéticos.
“Não existe uso seguro de esteroides anabolizantes para estética. Essas drogas provocam alterações importantes no funcionamento do organismo e podem causar lesões permanentes no coração.”
De acordo com o especialista, os efeitos negativos começam muito antes do aparecimento dos sintomas.
“O problema é que o usuário muitas vezes se sente forte, ganha massa muscular e acredita que está mais saudável. Na realidade, o coração está sendo submetido a um esforço muito maior.”
Como os anabolizantes afetam o coração
Os estudos apontam que essas substâncias provocam diversas alterações no organismo.
Uma delas é a mudança no perfil do colesterol. Os anabolizantes reduzem drasticamente o HDL, conhecido como colesterol bom, e aumentam os níveis de LDL, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias e acelerando o desenvolvimento da aterosclerose.
Outro efeito importante é o aumento da produção de glóbulos vermelhos, condição chamada de policitemia, que torna o sangue mais espesso e facilita a formação de coágulos, elevando o risco de trombose, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral (AVC).
Além disso, essas substâncias costumam provocar aumento da pressão arterial e sobrecarga contínua do músculo cardíaco.
Segundo Dr. Luiz Fernando Correia, o crescimento exagerado do coração causado pelos anabolizantes não representa um fortalecimento do órgão.
“O coração aumenta de tamanho, mas isso não significa que ele funciona melhor. Pelo contrário, esse crescimento pode comprometer o bombeamento do sangue e favorecer arritmias graves e morte súbita.”
Jovens são as principais vítimas
Especialistas alertam que muitos dos casos ocorrem justamente entre jovens que utilizam anabolizantes sem indicação médica, motivados por padrões estéticos ou desempenho esportivo.
Em muitos casos, os primeiros sinais podem surgir de forma inesperada, com dor no peito, falta de ar, palpitações ou até uma parada cardíaca durante atividades físicas.
Para os médicos, a melhor forma de evitar essas complicações é não utilizar esteroides anabolizantes sem indicação clínica e acompanhamento especializado.
As evidências científicas reforçam que não existe benefício estético capaz de compensar os riscos ao coração. A busca por resultados rápidos pode trazer consequências permanentes para a saúde e, em situações extremas, custar a própria vida.