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POLITICA

EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; governo Lula critica medida e promete manter negociações

Nova taxação entra em vigor no dia 22 de julho. Brasil classifica decisão como "marco lastimável" nas relações entre os dois países e afirma que não há justificativa para a medida.

👤 Damião Porfírio 📅 16 de julho de 2026 👁 15 ⏱ 3 min de leitura
EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; governo Lula critica medida e promete manter negociações

Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, medida que passa a valer a partir de 22 de julho. Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma nota oficial classificando a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

A nova tarifa é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais por outros países.

Na nota, o governo brasileiro afirma que não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil e destaca que, segundo dados do próprio governo dos Estados Unidos, os norte-americanos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

O Palácio do Planalto também informou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelos Estados Unidos fora das regras multilaterais de comércio, mas ressaltou que o Brasil permaneceu aberto ao diálogo durante todo o processo.

Governo defende PIX e regulação digital

No comunicado, o governo brasileiro também rebateu críticas feitas pelos Estados Unidos ao PIX, à regulação das plataformas digitais e às políticas ambientais brasileiras.

Segundo a nota, o PIX é considerado "um patrimônio do povo brasileiro" e uma referência internacional em infraestrutura pública de pagamentos.

O governo também classificou como "descabidas" as críticas relacionadas ao sistema de pagamentos e à regulamentação das plataformas digitais, além de considerar "absurdas" as acusações envolvendo o combate ao desmatamento.

Produtos que ficam de fora

Apesar da adoção da tarifa de 25%, os Estados Unidos estabeleceram uma lista de exceções.

Entre os produtos brasileiros que não serão atingidos pela nova taxação estão:

  • Petróleo;
  • Café;
  • Carne bovina;
  • Aeronaves;
  • Celulose.

Já produtos como etanol, máquinas agrícolas e papel estarão sujeitos à nova tarifa.

Negociações continuam

Representantes dos governos brasileiro e norte-americano realizaram, nesta semana, uma nova rodada de negociações para tentar evitar a aplicação das tarifas.

Participaram das conversas equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Assessoria Especial da Presidência da República e do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

Mesmo após a decisão, o governo brasileiro informou que continuará analisando a medida e avaliará os próximos passos diplomáticos e comerciais, mantendo aberta a possibilidade de novas negociações.

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