Suicídio supera mortes em confrontos e acende alerta para saúde mental dos policiais
Pelo terceiro ano consecutivo, tirar a própria vida foi a principal causa de morte entre policiais civis e militares no Brasil, segundo dados recentes. Especialistas apontam que o cenário reforça a necessidade de ampliar o cuidado com a saúde mental dos profissionais de segurança pública.
O número de policiais que morreram por suicídio voltou a superar o de agentes mortos em confrontos durante o serviço. Em 2025, 110 policiais tiraram a própria vida, enquanto 29 morreram em ocorrências relacionadas ao trabalho.
Os dados mostram uma tendência preocupante. Desde 2017, os casos de suicídio entre policiais cresceram cerca de 38%, ao mesmo tempo em que as mortes violentas em serviço registraram queda superior a 63%.
Além disso, o efetivo das forças de segurança vem diminuindo. Nos últimos dez anos, o número de policiais militares da ativa caiu cerca de 7%, representando aproximadamente 30 mil agentes a menos. Atualmente, menos de 70% das vagas previstas para policiais militares estão preenchidas nos estados. As polícias civis e os órgãos de perícia também registraram redução de quase 5% no efetivo.
Especialistas atribuem esse cenário à rotina de intensa pressão, exposição constante à violência, jornadas prolongadas, estresse e contato frequente com situações traumáticas. Esses fatores podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e outros problemas relacionados à saúde mental.
Outro desafio apontado é o estigma ainda existente dentro das corporações, onde muitos profissionais evitam buscar ajuda por receio de serem vistos como frágeis.
Diante desse quadro, especialistas defendem o fortalecimento de políticas de prevenção, acompanhamento psicológico permanente e ações voltadas à promoção da saúde mental dos agentes de segurança.
Se você ou alguém que conhece estiver enfrentando sofrimento emocional ou pensamentos suicidas, procure ajuda. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo site www.cvv.org.br.