Vendaval extremo expõe influência do El Niño e alerta para aumento de eventos climáticos no Brasil
Frente fria, contraste de massas de ar e aquecimento do Pacífico intensificaram rajadas que ultrapassaram 100 km/h no Sul e Sudeste; especialistas alertam para novos episódios nos próximos meses.
As fortes rajadas de vento que atingiram as regiões Sul e Sudeste do Brasil nos últimos dias provocaram um rastro de destruição, com árvores derrubadas, casas destelhadas, voos cancelados, milhares de ocorrências e milhões de imóveis sem energia elétrica. Em alguns pontos, os ventos ultrapassaram os 100 km/h.
No Rio de Janeiro, o vendaval deixou duas pessoas mortas e cerca de 2 milhões de unidades consumidoras sem energia. Em São Paulo, outras três mortes foram registradas, além de danos em embarcações e forte agitação marítima no litoral.
Embora o fenômeno El Niño tenha contribuído para criar um ambiente mais favorável à ocorrência de eventos extremos, meteorologistas explicam que ele não foi o único responsável pela intensidade da ventania.
Segundo especialistas, o avanço de uma frente fria sobre as regiões Sul e Sudeste encontrou uma massa de ar muito quente e seco que predominava sobre grande parte do país. O forte contraste entre essas massas de ar acelerou a circulação atmosférica, favorecendo a formação de rajadas intensas.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera a circulação dos ventos e influencia o regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do planeta, aumentando a probabilidade de eventos meteorológicos extremos.
As projeções climáticas indicam que o fenômeno deve ganhar ainda mais intensidade nos próximos meses, elevando o risco de temporais, vendavais, ondas de calor e períodos de estiagem em diferentes regiões do Brasil. Diante desse cenário, especialistas recomendam que a população acompanhe os alertas emitidos pelos órgãos oficiais de meteorologia e defesa civil.