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POLICIAL

Polícia Civil investiga grupo que planejava atentados contra prédios públicos em Brasília

Investigação aponta que integrantes de grupos fechados no Telegram discutiam ataques, fabricação de explosivos e disseminação de ideologia extremista

👤 Damião Porfírio 📅 10 de agosto de 2026 👁 71 ⏱ 3 min de leitura
Polícia Civil investiga grupo que planejava atentados contra prédios públicos em Brasília

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou um grupo que, segundo as autoridades, planejava pela internet atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília.

Os envolvidos não se conheciam pessoalmente. De acordo com a investigação, eles utilizavam grupos fechados no aplicativo Telegram para discutir ações violentas, compartilhar materiais e tentar recrutar pessoas dispostas a participar dos ataques.

As comunicações foram identificadas e monitoradas com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em uma das mensagens, integrantes discutiam a necessidade de listar possíveis alvos. Em outra, mencionavam a possibilidade de explodir um edifício onde autoridades eleitas participariam de um debate.

Um dos grupos utilizava uma imagem de Adolf Hitler como foto de perfil. Segundo o Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos do Ministério da Justiça, o material analisado apresentava indícios de planejamento de violência com uso de explosivos, além de disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.

O grupo maior reunia mais de 600 integrantes. Segundo as autoridades, participantes considerados mais radicalizados eram direcionados para um grupo restrito, com cerca de 46 pessoas, onde, além de discursos extremistas, circulavam instruções relacionadas à preparação de artefatos explosivos e outros métodos de ataque.

As investigações também identificaram materiais relacionados a prédios públicos de Brasília. Entre os conteúdos compartilhados estavam mapas e uma planta do Palácio do Planalto, que, segundo os investigadores, era analisada pelos integrantes com o objetivo de discutir possíveis formas de acesso ao prédio.

Na última terça-feira (4), policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Computadores e celulares foram apreendidos e serão analisados para identificar a extensão das atividades e possíveis novos envolvidos.

Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime, conforme o resultado das investigações e das análises do material apreendido.

O Ministério da Justiça informou que o Ciberlab já produziu, somente em 2026, 103 relatórios relacionados a mais de 50 grupos de ódio.

Para as autoridades, o caso demonstra que manifestações extremistas em ambientes virtuais não devem ser tratadas como simples discursos quando passam a envolver planejamento, recrutamento e preparação para atos violentos.

As investigações continuam, e a Polícia Civil deverá analisar os equipamentos apreendidos para verificar se os planos chegaram a avançar para uma etapa operacional.

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