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POLITICA

Foto de Lula com chapéu para a urna de 2026 gera debate sobre regras eleitorais

Resolução do TSE restringe elementos cênicos nas fotografias, mas decisões anteriores permitiram acessórios quando eles não prejudicam a identificação do candidato

👤 Damião Porfírio 📅 14 de agosto de 2026 👁 55 ⏱ 3 min de leitura
Foto de Lula com chapéu para a urna de 2026 gera debate sobre regras eleitorais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nesta semana a fotografia que será utilizada na urna eletrônica nas eleições de 2026. Na imagem, o presidente aparece usando um chapéu, acessório que passou a fazer parte de sua rotina após recomendação médica.

A escolha abriu uma discussão sobre as regras da Justiça Eleitoral para as fotografias dos candidatos que aparecem na urna.

A Resolução TSE nº 23.609, de 2019, estabelece critérios para as imagens e proíbe a utilização de “elementos cênicos e de outros adornos” que possam dificultar o reconhecimento do candidato pelo eleitor ou caracterizar propaganda eleitoral.

Apesar disso, decisões recentes da própria Justiça Eleitoral criaram precedentes para a utilização de acessórios na fotografia da urna.

Em 2022, o candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral depois de ter o uso de boné impedido pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. O TSE autorizou o acessório, considerando que o boné fazia parte de uma característica sociocultural associada ao candidato.

Outro caso ocorreu em 2024, quando o candidato a vereador de Quitandinha, no Paraná, Luiz Antônio Nascimento (PSD-PR), conhecido como Serelepe, conseguiu autorização para utilizar boné na fotografia. Na decisão, a Justiça Eleitoral considerou que o candidato era reconhecido pelo uso do acessório e que isso não prejudicava sua identificação.

E no caso de Lula?

A advogada eleitoral e mestre em Direito Emma Roberta Bueno avalia que a utilização do chapéu pode ser considerada regular caso o acessório não dificulte o reconhecimento do candidato.

Segundo ela, Lula passou a aparecer frequentemente em público usando o chapéu, o que pode fazer com que o acessório tenha se incorporado à sua identificação visual perante o eleitorado.

Por outro lado, o advogado Rollo apresenta uma interpretação diferente. Para ele, não seria possível aplicar automaticamente ao presidente o mesmo entendimento utilizado no caso de Douglas Belchior.

A diferença, segundo essa avaliação, estaria no fato de que o boné de Belchior já estaria associado à sua identidade cultural e à sua imagem pública antes da candidatura, enquanto o chapéu passou a ser utilizado por Lula apenas recentemente.

A discussão, portanto, está relacionada a um ponto central da legislação eleitoral: o acessório pode aparecer na fotografia desde que não comprometa a capacidade do eleitor de reconhecer o candidato?

No caso de Lula, o chapéu ganhou espaço em sua imagem pública nos últimos meses, inclusive por recomendação médica após a retirada de uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo.

A definição sobre a regularidade da fotografia deverá observar as regras da Justiça Eleitoral e os precedentes existentes sobre o uso de acessórios nas imagens destinadas à urna eletrônica.

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