Jornadas exaustivas contribuíram para crise de mão de obra nos engenhos de cana do Sertão
Segundo Valdo Marques, longas jornadas e remuneração considerada incompatível fizeram muitos trabalhadores deixarem a atividade e levaram engenhos da região a encerrar a produção
A produção artesanal de derivados da cana-de-açúcar no Sertão conviveu, ao longo dos anos, com uma dificuldade que acabou afetando diretamente a sobrevivência de muitos engenhos: a falta de mão de obra.
De acordo com Valdo Marques, proprietário de um engenho artesanal, no final da década de 1990 muitos engenhos da região chegaram a encerrar suas atividades justamente pela dificuldade de encontrar trabalhadores dispostos a enfrentar a rotina da moagem. a fala do dono de engenho foi durante o programa Fórum Social da Rádio Comunitária São Miguel FM do último sábado dia15 de agosto.
O trabalho começa ainda durante a madrugada. Em muitos engenhos, o motor é ligado por volta de 1h da manhã, quando tem início a moagem da cana e a preparação do caldo que será utilizado na produção de mel, rapadura e outros derivados.
A jornada pode se estender até depois das 16h, muitas vezes sem um intervalo significativo para descanso. São horas de trabalho intenso, envolvendo diferentes etapas da produção e exigindo esforço físico dos trabalhadores.
Para Valdo Marques, a combinação entre jornadas extremamente longas e uma remuneração que não acompanhava o nível de esforço exigido contribuiu para afastar trabalhadores da atividade.
O resultado foi uma crise que atingiu diversos engenhos da região no final dos anos 1990, levando muitos deles a interromper definitivamente a produção.
Hoje, além da tradição e do conhecimento transmitido entre gerações, a disponibilidade de trabalhadores continua sendo um dos desafios para quem mantém vivo o modelo artesanal de produção da cana-de-açúcar no Sertão.