Herpes-zóster: doença pode causar dores intensas e complicações; vacinação ajuda na prevenção
Conhecida como cobreiro, infecção é causada pela reativação do vírus da catapora e apresenta maior risco com o avanço da idade
A herpes-zóster, conhecida popularmente como cobreiro, é uma infecção provocada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. A doença pode causar dor intensa, ardência, vermelhidão e o surgimento de pequenas bolhas na pele, geralmente concentradas em uma faixa de apenas um lado do corpo.
Segundo a médica e pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Ana Cristina de Medeiros Ribeiro, o vírus permanece adormecido nos gânglios do sistema nervoso e pode voltar a se manifestar quando há redução da imunidade.
Um dos primeiros sinais costuma ser uma dor inexplicável, principalmente no tronco, nas costas ou na região do tórax. Posteriormente, aparecem as vesículas, pequenas bolhas com líquido transparente, que ajudam na identificação da doença.
A especialista alerta que o diagnóstico e o tratamento rápidos são importantes. O tratamento deve ser iniciado, preferencialmente, até 72 horas após o surgimento das vesículas, para reduzir o risco de complicações.
Uma das principais consequências é a neuralgia pós-herpética, caracterizada pela permanência da dor mesmo depois do desaparecimento das lesões na pele. Quando a doença atinge o rosto, também existe risco de comprometimento dos olhos e, em casos graves, até de perda da visão.
Idade aumenta o risco
O risco de desenvolver herpes-zóster aumenta com o envelhecimento. De acordo com a médica, entre 20% e 30% das pessoas com mais de 50 anos podem desenvolver a doença e, até os 85 anos, quase metade das pessoas pode ser afetada caso não haja prevenção.
A vacinação é uma das principais formas de prevenção. Atualmente, porém, a vacina contra a herpes-zóster não está disponível gratuitamente pelo SUS, sendo encontrada em clínicas particulares e redes de farmácias.
Para adultos a partir dos 50 anos, o esquema informado é de duas doses, geralmente com intervalo de dois a seis meses. A vacinação também pode ser indicada para pessoas a partir dos 18 anos que tenham condições de saúde ou façam tratamentos que comprometam o sistema imunológico.
Mesmo quem já teve herpes-zóster pode voltar a desenvolver a doença e, por isso, também pode receber a vacina, conforme orientação médica. No caso de quem já teve um episódio, a recomendação apresentada é aguardar pelo menos seis meses antes da vacinação.
A inclusão da vacina no SUS já foi analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas a incorporação não avançou devido principalmente ao custo do imunizante.