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El Niño Pode Intensificar Seca E Pressionar Abastecimento De Água Na Paraíba Em 2027

Fenômeno deve elevar temperaturas e reduzir chuvas no Nordeste; reservatórios da região de Tavares e Princesa Isabel também exigem acompanhamento.

👤 Damião Porfírio 📅 07 de setembro de 2026 👁 11 ⏱ 4 min de leitura
El Niño Pode Intensificar Seca E Pressionar Abastecimento De Água Na Paraíba Em 2027

A atuação de um El Niño de forte intensidade pode intensificar a seca no Nordeste e aumentar o risco de dificuldades no abastecimento de água na Paraíba ao longo de 2027. A previsão foi apresentada pelo Governo Federal nesta semana e aponta para temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado na região.

Segundo os dados divulgados, o fenômeno deve atingir maior intensidade entre setembro e novembro, podendo reduzir a produtividade agrícola, aumentar a necessidade de irrigação e os custos de produção, além de diminuir a disponibilidade de água e de forragem para a pecuária.

Apesar do alerta para os próximos meses, o Governo Federal avalia que a situação hídrica do Nordeste ainda é “confortável” para este ano. Cerca de 50% dos reservatórios da região estariam em níveis adequados para o período.

Na Paraíba, entretanto, a situação é bastante diferente entre os municípios e os mananciais. Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) mostram que parte dos açudes já apresenta níveis reduzidos.

Dos 131 reservatórios monitorados pela Aesa, 32 estão em estado de observação, com armazenamento entre 20,1% e 50%; 13 em estado de atenção, entre 10,1% e 20%; e 26 em situação crítica, abaixo de 10%.

E COMO ESTÁ A ÁGUA NA NOSSA REGIÃO?

Na região do Vale do Piancó e Sertão paraibano, os números dos principais mananciais também merecem atenção.

Em Tavares, o Açude Cachoeira Lisa apresenta volume atual de 6.136.819,53 metros cúbicos, para uma capacidade total de 9 milhões de metros cúbicos. O volume corresponde a aproximadamente 68,2% da capacidade do reservatório.

A última medição informada foi realizada em 18 de agosto de 2026.

Já em Princesa Isabel, o Açude Jatobá II aparece com volume de 1.090.725,13 metros cúbicos, diante de uma capacidade de 5.660.979 metros cúbicos. O reservatório está, portanto, com aproximadamente 19,3% de sua capacidade.

A última medição informada para o Jatobá II foi realizada em 11 de agosto de 2026.

Os números mostram uma diferença importante entre os dois reservatórios. Enquanto o Cachoeira Lisa ainda apresenta mais de dois terços de sua capacidade, o Jatobá II está abaixo de 20%, faixa que exige maior atenção diante da possibilidade de chuvas abaixo da média.

QUEIMADAS TAMBÉM PREOCUPAM

O cenário de temperaturas elevadas e menor umidade também aumenta o risco de queimadas.

Dados apresentados pelo Governo Federal indicam que mais de 95% dos incêndios começam por ação humana.

Na Paraíba, o Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou aumento dos focos: foram 136 em 2024 e 243 em 2025. Até 31 de agosto deste ano, o estado já contabilizava 176 focos.

Se a média de aproximadamente 22 focos por mês for mantida até dezembro, a Paraíba poderá chegar a cerca de 264 ocorrências em 2026, o que representaria, nesse cenário, o maior número desde o início da série histórica, em 1998.

O Governo Federal afirma ter ampliado os investimentos em monitoramento e combate aos incêndios. Segundo o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, quase 7 mil profissionais atuam nacionalmente no combate aos incêndios florestais e o Ibama investiu mais de R$ 300 milhões nessas ações.

Para a nossa região, o cenário exige atenção principalmente de agricultores e criadores. Calor intenso, menor ocorrência de chuvas, redução dos reservatórios e aumento do risco de queimadas podem pressionar a produção rural e a disponibilidade de água.

Por enquanto, os dados do Cachoeira Lisa mostram uma situação relativamente mais confortável em Tavares. Já o volume do Jatobá II, em Princesa Isabel, demonstra que alguns reservatórios da região já enfrentam uma situação mais delicada.

O comportamento das chuvas nos próximos meses será fundamental para determinar como esses números irão evoluir.

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