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A Copa que queria abraçar o mundo

Era para ser a maior copa do Mundo de todos os tempos

👤 Porfírio 📅 08 de julho de 2026 👁 13 ⏱ 3 min de leitura
A Copa que queria abraçar o mundo

A Copa do Mundo sempre foi um lugar onde o planeta parecia caber dentro de um estádio.

Durante um mês, aprendíamos a cantar hinos que nunca havíamos ouvido, torcíamos por países que mal sabíamos localizar no mapa e descobríamos que uma bola pode falar todas as línguas sem precisar de tradução.

Talvez por isso a FIFA tenha sonhado tão alto em 2026.

 

Seria a maior Copa da história. Quarenta e oito seleções. Dez representantes da África. Mais vagas para a Ásia, para a Oceania, para a Concacaf. A promessa era simples e bonita: uma Copa mais inclusiva, mais diversa, mais representativa.

No papel, parecia uma fotografia da humanidade.

 

Mas o futebol, às vezes, esbarra na vida real.

 

Enquanto a bola rolava, surgiam notícias que não combinavam com o espírito da competição.

 

Um árbitro somali, mesmo com documentação válida, ficou impedido de entrar no país-sede. Delegações relataram revistas constrangedoras ainda no aeroporto. Um atacante iraquiano passou horas sendo interrogado antes de receber autorização para entrar. Torcedores de vários países enfrentaram barreiras que pareciam dizer, discretamente: “Você foi convidado para a festa… mas nem tanto.”

 

Dentro e fora dos estádios, outra velha conhecida resolveu aparecer.

 

O racismo.

A xenofobia.

 

As redes sociais, que poderiam aproximar torcedores separados por oceanos, transformaram-se, em muitos momentos, em arquibancadas do preconceito.

 

É curioso.

 

nventamos uma Copa maior justamente para mostrar que há espaço para mais gente. Mas ainda não aprendemos que incluir pessoas é muito mais difícil do que incluir seleções.

 

A bola não pergunta a cor da pele de quem faz o gol.

 

O gramado não distingue sotaques.

 

O cronômetro corre exatamente igual para africanos, europeus, asiáticos, americanos ou árabes.

 

Talvez o futebol seja uma das poucas invenções humanas onde todos realmente começam iguais: onze de um lado, onze do outro.

 

Quem cria as diferenças somos nós.

 

E talvez essa seja a maior derrota desta Copa.

 

Não a eliminação do Brasil.

 

Nem a queda das favoritas.

 

Mas perceber que, em pleno século XXI, ainda carregamos fronteiras invisíveis que nenhum mapa consegue desenhar.

 

No fim das contas, a Copa termina como todas as outras.

Alguém levanta a taça.

Milhões choram.

 

Outros milhões comemoram.

 

Os estádios silenciam.

 

As bandeiras voltam para casa.

 

Mas permanece uma pergunta que talvez seja mais importante do que descobrir quem foi campeão.

 

Se conseguimos reunir quarenta e oito países para disputar um campeonato, por que ainda é tão difícil reunir pessoas diferentes para simplesmente conviver?

 

Talvez um dia exista uma Copa em que a maior vitória não seja apenas o placar.

 

Seja a humanidade aprender, finalmente, a jogar no mesmo time.

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