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| Desinformação faz brasileiros confiarem cada vez menos em informações sobre saúde

Nunca foi tão fácil ter acesso à informação. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil saber em quem confiar.

👤 Porfirio 📅 01 de julho de 2026 👁 18 ⏱ 3 min de leitura
| Desinformação faz brasileiros confiarem cada vez menos em informações sobre saúde

Nunca foi tão fácil ter acesso à informação. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil saber em quem confiar. Esse foi um dos principais temas debatidos durante o evento Pulso, promovido pelo UOL, que reuniu especialistas como o médico Drauzio Varella, a médica Mariana Varella, o infectologista Renato Kfouri, a jornalista Ana Carbonieri e a pesquisadora Nina Santos.

O encontro discutiu um fenômeno que preocupa médicos e pesquisadores: a crescente desconfiança dos brasileiros em relação às informações sobre saúde.

Segundo os especialistas, um dos principais responsáveis por esse cenário é a combinação entre desinformação nas redes sociais e os algoritmos das plataformas digitais, que tendem a mostrar aos usuários conteúdos semelhantes aos que eles já consomem.

Na prática, isso cria um ambiente conhecido como “bolha de informação”, onde as pessoas passam a receber apenas opiniões que confirmam suas próprias crenças, mesmo quando essas informações não possuem qualquer respaldo científico.

Para o médico Drauzio Varella, esse processo dificulta o trabalho de orientação da população. Informações falsas sobre vacinas, medicamentos, alimentação e tratamentos circulam rapidamente e, muitas vezes, alcançam um público maior do que conteúdos produzidos por instituições científicas e profissionais da saúde.

Outro fator apontado pelos participantes é a mudança na forma como as pessoas buscam informações. Antes, a principal referência era o médico, os órgãos de saúde ou a imprensa. Hoje, muitos pacientes chegam aos consultórios já convencidos por vídeos de influenciadores, grupos de mensagens ou publicações nas redes sociais.

Os especialistas destacaram que isso não significa que a população deva aceitar qualquer orientação sem questionamentos. Pelo contrário, buscar informações é importante. O problema ocorre quando opiniões sem evidências científicas passam a ter o mesmo peso que estudos realizados por pesquisadores e instituições reconhecidas.

Durante o debate, também foi ressaltada a importância da comunicação clara por parte dos profissionais de saúde. Em um ambiente digital dominado por vídeos curtos e conteúdos de fácil compartilhamento, explicar temas complexos de maneira acessível tornou-se um desafio.

Os participantes defenderam ainda que combater a desinformação exige uma atuação conjunta entre profissionais da saúde, veículos de comunicação, plataformas digitais, escolas e a própria população.

A principal recomendação é verificar sempre a origem das informações, priorizando fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde, Fiocruz, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Pediatria, universidades e profissionais habilitados.

Em tempos de excesso de informação, a confiança passa a depender menos da quantidade de conteúdo disponível e mais da capacidade de identificar aquilo que realmente é baseado em evidências científicas. Afinal, quando o assunto é saúde, uma informação incorreta pode trazer consequências tão graves quanto a própria doença.


 

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